POR BASÍLIO CARNEIRO: Ricardo não aprende…nem desiste…e nem liga.

Por Basílio Carneiro

Embora ostente uma carreira política bem sucedida,com honrosos mandatos de vereador,deputado estadual,prefeito da capital e governador,com direito a ter sido reeleito para todos os cargos,Ricardo Coutinho bem que poderia exibir como troféu outros títulos,entre eles o de um cacique politico – o que já é – bem mais certeiro em suas estratégias. Mas o ‘mago’ é teimoso,pra não dizer “personalista” e “centralizador”, práticas que usa às vezes com excesso,embora os termos já definam condutas excessivas. Mas isso em Ricardo é natural.

Leiamos a atual cena do evento “S.O.S. Transposição,acontecido domingo último(01/09),em Monteiro-PB.

O ato foi marcado pela presença de uma boa multidão,que poderia ser maior,assim como pela ausência de uma outra,que necessariamente tinha de ser menor. Falo da mutidão de deputados ausentes. De uma assembleia estadual de 36 membros,apenas seis estavam lá.Dos doze federais,apenas 3. Isso sem falar no incontável número de prefeitos que,mesmo defensores da causa,em Monteiro não puseram os pés.

Onde está o erro? Em Ricardo Coutinho,claro.

O ex-governador socialista,pra início de conversa,tomou para si o direito de fazer a ‘convocatória’ para o evento como pessoa física. Quem chamou foi Ricardo,que não é uma instituição. Eventos desse porte carecem de um chamamento institucional feito por entidades solidamente representativas dos diversos setores sociais. O que custaria a Ricardo ter travado uma boa articulação que envolvesse a Assembleia Legislativa,a Famup e o próprio governo do estado,além de outras diversas entidades ligadas aos movimentos siciais? Nada. Seu nome estaria nos holofotes do mesmo jeito,com a diferença de o S.O.S. Transposição ter sido gigantescamente maior.

O personalismo centralizador de Ricardo tem origem bem remota. Ainda no velho PT,lá pelos longínquos anos 80,Ricardo Coutinho fazia questão de não se enquadrar em qualquer das diversas correntes internas do partido,para ter o seu “Coletivo Ricardo Coutinho”.

Depois,já como notável protagonista de relevantes episódios da nossa política,uma passagem aqui,outra ali,revelam o “quê” de suicida de que o personalíssimo de Ricardo está envenenado,mas ele ‘nem liga’.

Voltemos ao cenário pré-eleitoral de 2012 em João Pessoa. Ricardo Coutinho,já governador,deixa seu vice,Luciano Agra governando a capital,o qual pleiteia o inalienável direito de tentar a reeleição,como favorito. Mas Ricardo se opõe a Agra e lhe impõe humilhante derrota no processo de escolha interna. Sua preferida,oficializada candidata,é Estelizabel Bezerra. Agra arregimenta seu bloco de fiéis,antes Ricardistas, e declara apoio à candidatura de Luciano Cartaxo,à época no PT.Não deu outra:Cartaxo elege-se prefeito da capital.

A ausência do governador João Azevedo no evento de Monteiro é o ponto mais ilustrativo desse ‘pano de fundo’. Logo João,que fora o secretário do governo Ricardo Coutinho interlocutor nas esferas federais quando o assunto era ‘Transposiçao’? E como tal,dito e repetido pelo próprio Ricardo,um dos baluartes da obra.

Ricardo não aprende com as lições que produziu para si,nem com as que recebeu dos outros. Bastaria lembrar de Cássio,que fora seu maior cabo eleitoral em 2010 e,ao se insurgir em 2014,rompendo e saindo candidato a governador,sofreu fragorosa e inesquecível derrota.

A tentativa de Ricardo Coutinho de tirar do centro da tela o governador João Azevedo,poderá lhe custar um preço bem alto,num futuro não muito distante.

Basílio Carneiro 

jornalista, radialista e analista político

Por: Junior Queiroz em 3 de setembro de 2019

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